Por aqui os dias começam a esfriar (as noites esfriaram faz tempo) e o inverno parece que vai ser dos bons. Muitos cobertores serão necessários e muito chocolate quente acompanhado de boa música. Para ouvir Evgeny Kissin nada do que foi dito acima é necessário. Aliás, quanto menos houver de interferência entre seus ouvidos e os dedos desse fenomenal pianista russo, tanto melhor. Dois vídeos. O primeiro, de 1989, revela o enorme talento de Evgeny Kissin. Esse vídeo é proveniente do álbum Tchaikovsky: Piano Concerto No. 1 que reuniu Kissin à Orquestra Filarmônica de Berlim com regência de Herbert von Karajan. Escolhi esse álbum como o melhor entre todos os que já ouvi.
O segundo vídeo é mais recente. Trata-se de um pequeno trecho de uma entrevista que captura um Kissin um pouco tímido e com certa dificuldade para se expressar em inglês. Vendo-o assim, e bobos que somos, até pensamos tratar-se de um mortal como outro qualquer a tocar e dizer bobagens, até que o entrevistador pergunta: "com qual idade"? E ele responde: "sete"....
O terceiro lugar da minha lista fica com ninguém menos que Miles Davis e seu extasiante "Bitches Brew".
Abaixo, um trecho dessa inesquecível gravação, de 1971.
Crítica:
Miles Davis é mais admirado e imitado trompetista de jazz de todos os tempos. A ele se deve a renovação do cool jazz e do hard bop, sendo também o mentor da improvisação modal a partir do revolucionário "Kind of Blue", até chegar ao que podemos de apelidar a sua “fase eletrônica”. Em meados dos anos 60, Davis era conhecido como Mr. Cool, mas a sua linha musical mudou quando abandonou o hard bop para a sua fase mais controversa, em que fundiu o jazz com o rock. Nessa época formou uma banda munida de instrumentos electrificados e usou efeitos sonoros nas suas gravações. Com "In a Silent Way", de 69, surge Wayne Shorter, considerado por muitos como o grande seguidor de Davis na revolução sonora. Anteriormente, em Fillis…, participaram um “tal” Chick Corea, descoberto por Miles, e um senhor que se dava pelo nome Herbie Hanckock… Boa companhia, portanto… O paradoxo sonoro viria em 70 com Bitches Brew. A crítica dividiu-se, achando os mais conservadores que este trabalho era um suicídio artístico. Em Bitches Brew, Davis, amplia as experiencias, rodeando-se de um grupo de músicos incomum, com uma vertente rítmica no mínimo invulgar, três pianistas, um guitarrista, um baixista, três bateristas e um percussionista. E tudo isto ligado à electricidade. Para completar, o trompete de Miles estava ligado a um pedal wah-wah. Miles Davis embrenhou-se num terreno para onde nunca ninguém tinha levado o jazz, conduzindo-o a uma mudança radical que da qual sempre foi muito atrito a falar. Sabe-se que Davis andava na altura muito impressionado com as actuações de Jimi Hendrix e das suas ideias psicadélicas, conduzindo-o a uma série de experiências. O corolário dessas experiências foi uma mescla sonora que possuía elementos percussivos idênticos aos da linguagem do rock. Controverso ou não, Bitches Brew é um marco importante, não só na carreira de Miles Davis, mas sobretudo no próprio jazz e na música de fusão. A sonoridade do jazz e da música moderna já mais viria a ser a mesma depois deste disco, tendo influência várias gerações de músicos. (O texto original pode ser lido aqui).
O quinto melhor disco fica com Van Morrison e seu incrível álbum "Astral Weeks", ocupando o quinto lugar.
Do disco, original de 1968, escolhi uma das melhores composições "Sweet Thing", aqui interpretada pelo próprio, em um de seus shows mais recentes, quarenta anos após o lançamento original...
Paris, 1968. Um dos melhores resgistros ao vivo de Nina Simone, senão o melhor. Abaixo, o final do filme "Antes do Pôr-do-sol" que utiliza "just in Time" dessa apresentação de Nina.
"Blonde on Blonde", de 1966, é O mais representativo dos álbuns de Bob Dylan, que tem vários títulos dignos de uma lista de 100 essenciais. Abaixo "I Want You" canção pinçada desse trabalho.
Gravação homônima de Cartola realizada em 1974 (como ficou conhecido o disco). Reúne vários clássicos do nosso eterno sambista, como "Tive Sim" que está no vídeo abaixo.
Em 1980, Tom Waits já se encontrava numa transição entre o blues e o rock, quando gravou este clássico "Heartattack and Vine". O álbum capta como nenhum outro a essência inquieta do bluesman que iria converte-se logo depois em rocqueiro. Confira no vídeo a apresentação da faixa-título.
Ry Cooder em 1989 conseguiu o feito de fazer uma trilha sonora que vivesse independentemete do filme a que se destinava. Ainda que Paris, Texas tenha toda a paisagem árida necessária para compor o cenártios das músicas de Ry Cooder, o sentimento presente nas canções vão muito mais longe que o longa de Win Wenders. Abaixo, "Canción Mixteca" em cena do filme.