quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Melhor disco de todos os tempos: Tchaikovsky, Concerto # 1

Evgeny Kissin: um deus entre mortais



Por aqui os dias começam a esfriar (as noites esfriaram faz tempo) e o inverno parece que vai ser dos bons. Muitos cobertores serão necessários e muito chocolate quente acompanhado de boa música.
Para ouvir Evgeny Kissin nada do que foi dito acima é necessário. Aliás, quanto menos houver de interferência entre seus ouvidos e os dedos desse fenomenal pianista russo, tanto melhor.
Dois vídeos. O primeiro, de 1989, revela o enorme talento de Evgeny Kissin. Esse vídeo é proveniente do álbum Tchaikovsky: Piano Concerto No. 1 que reuniu Kissin à Orquestra Filarmônica de Berlim com regência de Herbert von Karajan.
Escolhi esse álbum como o melhor entre todos os que já ouvi.





O segundo vídeo é mais recente. Trata-se de um pequeno trecho de uma entrevista que captura um Kissin um pouco tímido e com certa dificuldade para se expressar em inglês. Vendo-o assim, e bobos que somos, até pensamos tratar-se de um mortal como outro qualquer a tocar e dizer bobagens, até que o entrevistador pergunta: "com qual idade"? E ele responde: "sete"....



2º Melhor: Einstein on the Beach

Einstein on the Beach - Philip Glass




Então, a segunda posição do melhor disco de todos os tempos é ocupada por Philip Glass e sua ópera intitulada "Einstein on the Beach".


A ópera foi dirigida por Robert Wilson em 1976. O álbum de Glass é apenas soberbo...
Um trechinho da música que mais gosto:



3º Melhor: Bitches Brew

Bitches Brew - Miles Davis



O terceiro lugar da minha lista fica com ninguém menos que Miles Davis e seu extasiante "Bitches Brew".


Abaixo, um trecho dessa inesquecível gravação, de 1971.




Crítica:


Miles Davis é mais admirado e imitado trompetista de jazz de todos os tempos. A ele se deve a renovação do cool jazz e do hard bop, sendo também o mentor da improvisação modal a partir do revolucionário "Kind of Blue", até chegar ao que podemos de apelidar a sua “fase eletrônica”. Em meados dos anos 60, Davis era conhecido como Mr. Cool, mas a sua linha musical mudou quando abandonou o hard bop para a sua fase mais controversa, em que fundiu o jazz com o rock. Nessa época formou uma banda munida de instrumentos electrificados e usou efeitos sonoros nas suas gravações. Com "In a Silent Way", de 69, surge Wayne Shorter, considerado por muitos como o grande seguidor de Davis na revolução sonora. Anteriormente, em Fillis…, participaram um “tal” Chick Corea, descoberto por Miles, e um senhor que se dava pelo nome Herbie Hanckock… Boa companhia, portanto… O paradoxo sonoro viria em 70 com Bitches Brew. A crítica dividiu-se, achando os mais conservadores que este trabalho era um suicídio artístico. Em Bitches Brew, Davis, amplia as experiencias, rodeando-se de um grupo de músicos incomum, com uma vertente rítmica no mínimo invulgar, três pianistas, um guitarrista, um baixista, três bateristas e um percussionista. E tudo isto ligado à electricidade. Para completar, o trompete de Miles estava ligado a um pedal wah-wah. Miles Davis embrenhou-se num terreno para onde nunca ninguém tinha levado o jazz, conduzindo-o a uma mudança radical que da qual sempre foi muito atrito a falar. Sabe-se que Davis andava na altura muito impressionado com as actuações de Jimi Hendrix e das suas ideias psicadélicas, conduzindo-o a uma série de experiências. O corolário dessas experiências foi uma mescla sonora que possuía elementos percussivos idênticos aos da linguagem do rock. Controverso ou não, Bitches Brew é um marco importante, não só na carreira de Miles Davis, mas sobretudo no próprio jazz e na música de fusão. A sonoridade do jazz e da música moderna já mais viria a ser a mesma depois deste disco, tendo influência várias gerações de músicos.
(O texto original pode ser lido aqui).

4º Melhor: Blue Train

Blue Train - John Coltrane



O quarto melhor disco de todos os tempos é do incansável John Coltrane. Entre tantos discos espetaculares, escolhi "Blue Train".


O disco, de 1957, capta o gênio em algumas de suas melhores passagens. Ouça abaixo um trechinho e note porque ele é indispensável...



5º Melhor: Astral Weeks

Astral Weeks - Van Morrison




O quinto melhor disco fica com Van Morrison e seu incrível álbum "Astral Weeks", ocupando o quinto lugar.



Do disco, original de 1968, escolhi uma das melhores composições "Sweet Thing", aqui interpretada pelo próprio, em um de seus shows mais recentes, quarenta anos após o lançamento original...


6º Melhor: Live in Paris

Live in Paris - Nina Simone



Paris, 1968. Um dos melhores resgistros ao vivo de Nina Simone, senão o melhor. Abaixo, o final do filme "Antes do Pôr-do-sol" que utiliza "just in Time" dessa apresentação de Nina.

7º Melhor: Blonde on Blonde

Blonde on Blonde - Bob Dylan


"Blonde on Blonde", de 1966, é O mais representativo dos álbuns de Bob Dylan, que tem vários títulos dignos de uma lista de 100 essenciais. Abaixo "I Want You" canção pinçada desse trabalho.


8º Melhor: 1974

"1974" - Cartola



Gravação homônima de Cartola realizada em 1974 (como ficou conhecido o disco). Reúne vários clássicos do nosso eterno sambista, como "Tive Sim" que está no vídeo abaixo.

9º Melhor: Heartattack and Vine

Heartattack and Vine - Tom Waits



Em 1980, Tom Waits já se encontrava numa transição entre o blues e o rock, quando gravou este clássico "Heartattack and Vine". O álbum capta como nenhum outro a essência inquieta do bluesman que iria converte-se logo depois em rocqueiro. Confira no vídeo a apresentação da faixa-título.

10º Melhor: Paris, Texas

Paris, Texas - Ry Cooder



Ry Cooder em 1989 conseguiu o feito de fazer uma trilha sonora que vivesse independentemete do filme a que se destinava. Ainda que Paris, Texas tenha toda a paisagem árida necessária para compor o cenártios das músicas de Ry Cooder, o sentimento presente nas canções vão muito mais longe que o longa de Win Wenders. Abaixo, "Canción Mixteca" em cena do filme.